SAÚDE: Enquanto população sofre, prefeitura comemora "avanços"

SAÚDE: Enquanto população sofre, prefeitura comemora "avanços"



 Nesta semana, a Prefeitura de Camaçari divulgou uma nota segundo a qual a saúde, na cidade, vem passando por uma "revolução" nos últimos 4 anos, ou seja, durante o governo de Elinaldo (DEM).


De acordo com a matéria, toda infraestrutura municipal do sistema foi beneficiada por ações, que vão desde reforma a abertura de novas unidades, passando por requalificação nos modelos de atendimento e ampliação da rede.


Prefeitura diz uma coisa...


Lendo os cinco parágrafos do texto, temos a certeza de que o atendimento em saúde oferecido pelo município é maravilhoso, seja na saúde da família, odontologia, urgência e emergência, pediatria e até mesmo atendimento psicossocial adulto e infantil: tudo funciona de forma impecável: UBS, UPA's, PSF, PA, CEO, SAMU e CAPS, na sede e na orla.


"Após quatro anos, o sistema público de saúde apresenta um novo cenário, marcado por grandes avanços e importantes conquistas, diferente do quadro encontrado em 2016, quando as unidades de saúde em situação de abandono", garante o prefeito, Elinaldo Araújo (DEM) através da Agência de Notícias da Prefeitura.


...população diz outra


De posse do material , o Camaçari Fatos e Fotos (CFF) foi atrás de quem realmente sabe como anda a qualidade do atendimento em saúde na cidade: quem usa o sistema. Entrevistamos cinco mulheres, moradoras da sede e da orla e todas fizeram a mesma crítica: longas filas e falta de atendimento.


Adriana Pereira Bispo (27) é moradora de Monte Gordo. A mãe dela tem câncer e, embora o tratamento não possa ser feito na rede municipal, elas costumam buscar a UPA para tomar medicação para aliviar as fortes dores, já que os hospitais que tratam câncer ficam todos em Salvador.


"Às vezes é uma porcaria. É uma luta para eles atenderem a gente. Horas e horas para atender, mesmo ela tendo câncer", relata.


Para gatos?


Tatiane Teixeira (35), moradora do Jardim Limoeiro, reforça o depoimento: "A gente chega na emergência, é uma vida para poder passar pela triagem, depois é outra vida até chegar no médico e depois, para receber a medicação, mais uma vida. Se tiver que morrer, morre na fila", lamenta ela.


Aparentemente, o sistema de saúde do município está bom para os gatos, que, segundo dizem, têm sete vidas: ainda sobrariam quatro, depois da longa espera.


Jaqueline Cardoso (23) é moradora de Barra do Jacuípe, mas preferiu falar sobre a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Gleba A, única que atende adultos, na sede do município.


"Quando eu conheci a UPA da Gleba A, parecia um hospital particular. Mas, depois que mudou para Ademar e Elinaldo, fui doente, voltei sã e não fui atendida", ironiza ela, endossando as queixas de demora e falta de atendimento.


Promessa amarga


O relato de Juliana Andrade (34) revela uma face tão ruim quanto do atendimento: a falta em empatia e erro de diagnóstico. "Eu estava com muita dor nas costas e nem conseguia andar, nem mesmo ficar de pé. Fui na UPA da Gleba A e, mesmo depois de pedir a cadeira de rodas e informar que estava com muita dor, fiquei aguardando mais de 40 minutos para passar pela triagem", relembra ela. "Minha amiga colocou minha cadeira em frente à porta da sala de triagem, então dava pra ver que, na maior parte do tempo, não tinha ninguém sendo atendido".


O pior, no entanto, veio na sala da médica: "Ela nem sequer levantou da cadeira, não saiu de trás da mesa, não pediu um Raio-X, não me examinou. Nada. Só perguntou onde era a dor e me deu um diagnóstico de hérnia de disco. Ainda me disse que, na minha idade, uma hérnia tão grave não teria cura e que eu ficaria na cadeira de rodas pelo resto da vida. Me passou uma receita com dois corticoides e um anti-inflamatório e me mandou pra casa. Ela disse tudo isso como se fosse normal uma pessoa saudável, de repente, ficar paralítica", relata.


O relato de Juliana fica ainda mais absurdo: "Não tomei o remédio e preferi voltar para casa com dor do que arriscar minha saúde tomando remédio para uma doença que eu não tinha. No dia seguinte procurei uma médica particular; ela me examinou e era apenas tensão muscular. Fiz o tratamento que ela passou, muito menos agressivo, e estou ótima desde então, caminhando com minhas próprias pernas. Isso foi há um ano", relembra.


Sem médico e sem referência


O relato de Sabrina Alvarenga (28) é mais recente. "Eu torci o pé ontem [domingo, 27], fui para o posto às 9h, saí de lá às 14h e não tinha ortopedista. Perderam minha ficha e só deram um Profenid e me mandaram pra casa. O sistema está péssimo", relata ela.


Questionada sobre o porquê de não ter sido encaminhada para o Hospital Geral de Camaçari (HGC), já que a unidade não dispunha de ortopedista, ela revela mais uma falha. "Eles dizem que referenciam, se não tiver médico, mas não tinha ortopedista e mesmo me mandaram pra casa", denuncia.


Saudades de Caetano?


"Sinto falta da época de Caetano que não demorava nada e engessaria logo". A frase foi dita por Sabrina, que, mesmo tomando o remédio receitado na UPA, continua com dores e sem conseguir pisar no chão.


Com palavras diferentes, Jaqueline e Juliana fizeram observações semelhantes: quando Luiz Caetano (PT) era prefeito da cidade, o sistema de saúde funcionava realmente bem.


No entanto, ao se candidatar e concorrer com Elinaldo, em 2016, Caetano foi derrotado nas urnas. Na época, mesmo tendo sido o prefeito mais bem avaliado que Camaçari já tivera, a derrota de Caetano foi uma resposta da população, uma "vingança" por ele ter elegido Ademar, um dos piores prefeitos da história do município.


Diante desses dois cenário, fica a pergunta no ar: cada povo tem o governo que merece?

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem